Desculpe se fiz a senhora esperar até essa hora. É que hoje preferi deixar que recebesse primeiro todas as mensagens emitidas por meus irmãos e sobrinhos. Foi um dia de muita saudade. Muita. Pra nós e pra senhora. Mais um - o terceiro - Dia das Mães sem ter a sua presença física.
Como lhe conheço bem e sei sua intimidade com Nossa Senhora, que também é mãe, não duvido que tenha conseguido dar um abraço em cada um dos seus filhos neste dia, em sonho, mesmo que nem todos de nós lembremos.
Foram muitas as lembranças compartilhadas nos grupos do "zap" A Grande Família e Roseiral. Músicas das festinhas da infância foram cantadas. Apesar de muita saudade somos gratos por termos tantas lembranças a recordar. Passamos o dia a homenagear a senhora neste Dia das Mães.
Antes de escrever essa cartinha fui buscar em meus álbuns e CDs fotos de nossos encontros. E encontrei esta de 2005, quando a senhora estava aqui. Daquela vez que Verinha também veio porque estava sem conseguir andar, lembra?
A foto é daquele dia depois que ela melhorou e fomos na praia. Olha como eu estava magrinha, vixe maria! Você estava tão linda! Adoro esta em que você está saindo da água.
Hoje não me encontrei com Cida e Aninha pra irmos à missa. Acordei tarde e fui reavivar o meu ruivo. Apesar de não me importar muito, lembrei que a senhora não gostava que a raiz branca do cabelo ficasse aparecendo."Envelhece, minha filha", a senhora dizia.
Em sua homenagem cuidei do cabelo. Pelo Dia das Mães ganhei de Roberto um vasinho com um girassol. Lindo. Fiquei emocionada. Depois fomos, Roberto e eu, almoçar com as irmãs dele, porque consideramos que Luci e Ivone são mães de todos, mesmo sem terem parido. Mais tarde Cacá e Bruna foram pra lá.
No vai e vem das conversas, lembramos das comidas da senhora e de dona Alaíde, mãe deles. Uma outra guerreira que se encontra por aí há 28 anos. Não tive oportunidade de conhecê-la, porque ela partiu em fevereiro de 1989 e eu cheguei em maio do mesmo ano. Mas não duvido que foi uma grande mãe. A prova são os seus filhos.
Nessas conversas lembrei do almoços que a senhora fazia no Dia das Mães quando éramos pequenos e que iam tia Teca e tia Neném com os maridos e filhos. Contei que, juntos, éramos muitos e as duas mesas não cabiam. Aí tia Neném reunia os menores numa roda, no quintal, contava histórias e dava bolinhos feitos na mão na boca de cada um. A senhora sabe que Anhia gosta disso até hoje e se tiver oportunidade come fazendo bolinhos.
Poxa, mamãe, ainda não consigo me acostumar a chegar nesse dia, em especial, e não poder falar com a senhora. Falar assim, no formato daqui da terra, presencialmente ou por telefone. Porque nos falamos todos os dias, né? Pelo menos acho que a senhora recebe meu bom dia, meu agradecimento e meu pedido de benção para o dia, assim como o meu desejo que o seu dia seja de paz; e que recebe o meu boa noite e meu beijo.
Tento o tempo inteiro diminuir o meu ritmo acelerado de trabalho para equilibrar minha energia e ficar mais próxima de uma sintonia com a senhora.
Como Roberto está sozinho agora (a senhora sabe que tem quase um ano que Cacá e Bruna casaram, né?), tenho procurado chegar mais cedo, mas nem sempre consigo. E não me sinto feliz com isso, pois queria chegar cedo para relaxar e estar com minha energia mais tranquila e assim poder me encontrar com a senhora em sonho.
Acredito que até podemos ter nos encontrado, mas não consigo lembrar.
Como Roberto está sozinho agora (a senhora sabe que tem quase um ano que Cacá e Bruna casaram, né?), tenho procurado chegar mais cedo, mas nem sempre consigo. E não me sinto feliz com isso, pois queria chegar cedo para relaxar e estar com minha energia mais tranquila e assim poder me encontrar com a senhora em sonho.
Acredito que até podemos ter nos encontrado, mas não consigo lembrar.
Continuo aqui, sempre preocupada com todos. Preocupada com papai, com quem não consigo falar todas as semanas.
Olha a ironia da vida: a senhora temia tanto ter que fazer hemodiálise devido ao diabetes e retornou ao plano espiritual sem precisar se submeter a isso. E papai, que sempre foi forte e aparentemente saudável, desde novembro do ano passado está fazendo três dias por semana.
Não estar em Paulo Afonso e não conseguir falar com ele pelo celular, que está sempre descarregado, me deixa um pouco ansiosa. Mas sei que Deus a tudo vê e a tudo provê, né? A senhora bem sabe disso. Inspirada na sua fé e na fé de tia Neném tenho optado por confiar.
Tenho informações que Delma e as minhas irmãs, filhas dela com papai, estão cuidando dele. E sou grata. Mas queria que tivéssemos oportunidade de contribuir com esse cuidado também, de alguma forma. Tenho pedido isso a Deus e tenho certeza que ele nos ajudará a reencontrar a harmonia e a paz, assim como a senhora conseguiu.
Vou ficando por aqui, mariquinha. Te amo muito, viu? Muito obrigada, mais uma vez, por tudo. Fica em paz, meu amor.
Sua filha, Vanda.