domingo, 14 de maio de 2017

Nossas lembranças tornam a saudade mais leve

Querida mamãe


Desculpe se fiz a senhora esperar até essa hora. É que hoje preferi deixar que recebesse primeiro todas as mensagens emitidas por meus irmãos e sobrinhos. Foi um dia de muita saudade. Muita. Pra nós e pra senhora. Mais um - o terceiro - Dia das Mães sem ter a sua presença física. 

Como lhe conheço bem e sei sua intimidade com Nossa Senhora, que também é mãe, não duvido que tenha conseguido dar um abraço em cada um dos seus filhos neste dia, em sonho, mesmo que nem todos de nós lembremos.

Foram muitas as lembranças compartilhadas nos grupos do "zap"  A Grande Família e Roseiral. Músicas das festinhas da infância foram cantadas. Apesar de muita saudade somos gratos por termos tantas lembranças a recordar. Passamos o dia a homenagear a senhora neste Dia das Mães.

Antes de escrever essa cartinha fui buscar em meus álbuns e CDs fotos de nossos encontros. E encontrei esta de 2005, quando a senhora estava aqui. Daquela vez que Verinha também veio porque estava sem conseguir andar, lembra? 

A foto é daquele dia depois que ela melhorou e fomos na praia. Olha como eu estava magrinha, vixe maria! Você estava tão linda! Adoro esta em que você está saindo da água.

Hoje não me encontrei com Cida e Aninha pra irmos à missa. Acordei tarde e fui reavivar o meu ruivo. Apesar de não me importar muito, lembrei que a senhora não gostava que a raiz branca do cabelo ficasse aparecendo."Envelhece, minha filha", a senhora dizia. 

Em sua homenagem cuidei do cabelo. Pelo Dia das Mães ganhei de Roberto um vasinho com um girassol. Lindo. Fiquei emocionada. Depois fomos, Roberto e eu, almoçar com as irmãs dele, porque consideramos que Luci e Ivone são mães de todos, mesmo sem terem parido. Mais tarde Cacá e Bruna foram pra lá.

No vai e vem das conversas, lembramos das comidas da senhora e de dona Alaíde, mãe deles. Uma outra guerreira que se encontra por aí há 28 anos. Não tive oportunidade de conhecê-la, porque ela partiu em fevereiro de 1989 e eu cheguei em maio do mesmo ano. Mas não duvido que foi uma grande mãe. A prova são os seus filhos.

Nessas conversas lembrei do almoços que a senhora fazia no Dia das Mães quando éramos pequenos e que iam tia Teca e tia Neném com os maridos e filhos. Contei que, juntos, éramos muitos e as duas mesas não cabiam. Aí tia Neném reunia os menores numa roda, no quintal, contava histórias e dava bolinhos feitos na mão na boca de cada um. A senhora sabe que Anhia gosta disso até hoje e se tiver oportunidade come fazendo bolinhos.

Poxa, mamãe, ainda não consigo me acostumar a chegar nesse dia, em especial, e não poder falar com a senhora. Falar assim, no formato daqui da terra, presencialmente ou por telefone. Porque nos falamos todos os dias, né? Pelo menos acho que a senhora recebe meu bom dia, meu agradecimento e meu pedido de benção para o dia, assim como o meu desejo que o seu dia seja de paz; e que recebe o meu boa noite e meu beijo.

Tento o tempo inteiro diminuir o meu ritmo acelerado de trabalho para equilibrar minha energia e ficar mais próxima de uma sintonia com a senhora. 

Como Roberto está sozinho agora (a senhora sabe que tem quase um ano que Cacá e Bruna casaram, né?), tenho procurado chegar mais cedo, mas nem sempre consigo. E não me sinto feliz com isso, pois queria chegar cedo para relaxar e estar com minha energia mais tranquila e assim poder me encontrar com a senhora em sonho. 

Acredito que até podemos ter nos encontrado, mas não consigo lembrar.

Continuo aqui, sempre preocupada com todos. Preocupada com papai, com quem não consigo falar todas as semanas. 

Olha a ironia da vida: a senhora temia tanto ter que fazer hemodiálise devido ao diabetes e retornou ao plano espiritual sem precisar se submeter a isso. E papai, que sempre foi forte e aparentemente saudável, desde novembro do ano passado está fazendo três dias por semana. 

Não estar em Paulo Afonso e não conseguir falar com ele pelo celular, que está sempre descarregado, me deixa um pouco ansiosa. Mas sei que Deus a tudo vê e a tudo provê, né? A senhora bem sabe disso. Inspirada na sua fé e na fé de tia Neném tenho optado por confiar. 

Tenho informações que Delma e as minhas irmãs, filhas dela com papai, estão cuidando dele. E sou grata. Mas queria que tivéssemos oportunidade de contribuir com esse cuidado também, de alguma forma. Tenho pedido isso a Deus e tenho certeza que ele nos ajudará a reencontrar a harmonia e a paz, assim como a senhora conseguiu.

Vou ficando por aqui, mariquinha. Te amo muito, viu? Muito obrigada, mais uma vez, por tudo. Fica em paz, meu amor.

Sua filha, Vanda.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Bem-te-vi hoje passou por aqui

Querida Tia Neném

Como vai você? Hoje minha cartinha é sua. Ficou surpresa, mulher? Acho que não, pois sabe que sempre gostei de conversar com você. E deve saber também da saudade que tenho dos nossos papos quando você e seu amado Abel pousavam na minha casa depois das tantas viagens de vocês.

Titia, fui contar o tempo e não é que hoje completa sete anos do seu retorno ao plano espiritual? Meu Deus, como o tempo passa rápido! Nesse intervalo seguiram a viagem também nossas queridinhas Nicinha e Teca. Você já encontrou com elas? Essa era sua maior curiosidade: se encontraríamos do outro lado a quem amamos.

Hoje acordei cedinho pra caminhar e sabe quem estava lá fora? O Bem-te-vi. Na hora lembrei daquele dia em que você estava aqui em casa e ele cantou pra você. Bem-te-vi. Bem-te-vi. E aí você disse: "Olha, Abel, que maravilha! Esse Bem-te-vi canta pra mim toda vez que estou aqui!". Acho que ele veio lhe render homenagem nesse dia especial de renascimento, do seu encontro com Jesus.

 

Lembro que você tinha muita curiosidade sobre a vida depois da morte. Sempre que nos encontrávamos esse papo vinha à tona. Não que eu saiba exatamente o que acontece depois que retornamos ao plano espiritual, mas você gostava de conversar por saber que sou espírita. Sei que conversava muito com Tata também. E o papo era muito bom, mas de preferência longe de Abel, que não acredita que a vida continua .Ele sempre quis provas. E você e eu nunca pedimos provas, né?

Mulher, depois que você partiu Abel ficou meio perdidinho, viu? Quanta falta você fez. E faz. Também, foi cuidar tanto do homem, mas tanto, que ele ficou mal acostumado. 

Nos encontramos várias vezes. Aqui em Salvador, em Aracaju e até em Paulo Afonso, em um Réveillon, onde  Roberto e eu levamos ele  pra dançar um pouco. Abel riu muito com as doidices de Sandro, marido de Verinha. Lembra dele, né? Pois então! Foi muito divertido. 

Sei que agora ele está morando com Caca, né? Fiquei muito feliz com isso. Tou devendo uma ligação pra ele. Pode deixar que vou fazer.

Eita, titia, se Jesus tivesse deixado você ficar mais tempo aqui estaria completando mais um aniversário amanhã. Se eu disser que lembro quantos anos você faria eu estaria mentindo. Arrisco 74. Mas quero que você, aí nesse outro lado do caminho, receba o meu beijo. 

Se eu tivesse dito pras suas outras sobrinhas que estava mandando essa carta, elas iriam dizer pra lhe enviar um monte de beijos com gosto de amor, gratidão e saudade. Beijos enviados, então.

Olha, quero que você esteja muito bem. Aliás, sei que você está bem. Nunca vi alguém tão bem resolvido com a vida e a vida depois da vida que você. Nunca esqueço que você sempre dizia que estava pronta para o que Jesus quisesse. Parabéns! 

Que você tenha encontrado todos os seus amores. Que tenha abraçado Tina, Vovó Minice, Vovó Zezinho, mamãe, Tia Teca e Neném (Atenágora). Se ver dom Mário Zanetta por aí diga que eu mando um abraço. Sempre o admirei e gosto muito dele.

Nesse final de semana você e nossas queridas devem receber muitos sinais de saudade. Lágrimas com certeza, mas também risadas das boas lembranças. São elas, as lembranças, que nos ajudam aqui. É que a gente não se acostuma nunca com um Dia das Mães sem vocês presencialmente. 

Mas estamos bem, viu? Os seus filhos e netos, os filhos de Teca e os filhos de Nicinha. Só a saudade é muita. Cada um sente de uma forma. Por isso fiquem bem também, tá, titia?

Vou parando por aqui porque já tomei muito tempo da sua atenção. Viu que até escrevendo falo muito, né? Dá um beijo e um abraço bem apertado em todos por aí. Te amo.

Sua sobrinha Vanda.

Cuide dos laços de amor: em um piscar de olhos a vida passa

Vanda Amorim · Cuide dos laços de amor: em um piscar de olhos a vida passa Oi, tio Mariano Tudo bem? Num piscar de olhos já se passaram...

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