Querido Sérgio
Acho que você vai ficar surpreso ao receber está cartinha no céu. Afinal, foram muitos anos sem termos contato. Desde que saí do Recife nos perdemos um do outro. Mas você me conhecia bem e sabe que carinho não se apaga pela distância.
Sabe, agora, que escrevo cartas ao outro lado do caminho para pessoas que amo. Viu que falei no presente, né? Sabe por que? Simples: acredito que a vida prossegue após a morte. Aqui e do outro lado do caminho. E o meu carinho por você é presente.
Como lhe disse quando alguém conseguiu lhe colocar no grupo de WhatsApp Unidos pela Energia, dos nossos colegas da oitava série no Colepa, em Paulo Afonso, nunca deixei de tentar localizá-lo. Mil pesquisas nas redes sociais e no Google foram em vão até o grupo. Ter você ali, mandando mensagem de saudade pra todos nós, para mim, foi incrível.
Revivi todas as bagunças que você fazia com sua alegria e a nossa aventura juntos para ver o Papa João Paulo II no Estacionamento Joana Bezerra, em 1981, no Recife. Lembrei das danças com coreografia no Akalanto e das folias na aulas do curso de Química.
Mas, esse prazer durou pouco. Nossos colegas são tão tagarelas que pouco tempo depois você saiu do grupo. Sentimos muito a sua ausência. Mas, fazer o quê? O WhatsApp é bom, mas às vezes enche o saco mesmo.
O que mexeu conosco, mesmo, foi voltar a ter notícias suas de uma forma que não esperávamos . Aliás, ninguém esperava. Como alguém com tanta alegria, paz e solidariedade podia partir para o outro lado do caminho assim tão de repente, sem ao menos participar de um encontro com os velhos amigos?
Nós, seus amigos, sentimos saudades. Você havia mudado a cor do cabelo. Ficou loiro. Eu mesma mudo bastante o meu, seja na cor ou no corte. Sou quase camaleoa. Estou ruiva. Mas tenho certeza que você não havia mudado a sua essência. Linda essência.

E em novembro de 2017, na minha primeira viagem à Europa, nos encontramos em Portugal para um café. Ela, Teta e eu. Claro que você ocupou a maior parte da nossa conversa. Foi muito bom. Olha aí nós três.
Sua irmã continua linda. E como te ama, Sérgio! Crys já conhece esse meu cantinho de cartas ao céu, de monólogos de saudade. E eu disse a ela que escreveria uma para você, mas que daria um tempo para que você se restabelecesse da passagem. Tenho certeza que não foi fácil.
Olha, querido, escolhi este dia para lhe enviar a cartinha como forma de lhe homenagear por seu aniversário aqui. Para todos, principalmente para sua mãe, para Crys, Marcus, Viviane e seu sobrinho, com certeza não é bem um dia feliz. Até porque daqui a dois dias somarão cinco meses da sua partida.
Infelizmente a maioria de nós não percebe que você está vivo, embora desencarnado, e não consegue impedir que a saudade também seja dor. Como me despedi recentemente de mamãe e papai, venho exercitando a saudade sem dor, alimentando-me, nesses momentos, dos bons momentos que tive a honra de viver com eles.
Quero que, com essa cartinha, você receba a saudade, o carinho que sentimos e o desejo de paz que emanamos. Lembre que a vida é cheia de ciclos, vividos aqui e aí.
Não se deixe abater pela dor. Alimente-se do amor e da alegria de ter, ao longo de pouco mais de cinco décadas, atraído tantos amigos e amigas com o seu carisma, amizade, lealdade e alegria. Quero você forte e radiante como sempre foi, viu?
Antes de me despedir deixa eu contar uma coisa. Não sei como começou, mas rola uma brincadeira no Facebook que o povo da nossa cidade abraçou. Vou lá colocar: " DIZ QUE É DE PAULO AFONSO MAS NÃO CONHECEU SÉRGIO VITAL". Com certeza vai chover comentários dizendo que sim, que tem saudade e tal. Rsss.
Mas outra coisa: Nadja, nossa querida amiga e de quem você roubava o lanche, é avó de mais uma menina: Moema. Ela está uma vovó linda. Eu ainda não sou avó, mas aguardo ansiosa essa possibilidade.
Sérgio, não vou tomar muito mais do seu tempo. Como vê, os anos passaram mas continuo tagarela.
Receba meu abraço forte de saudade e de gratidão pelos momentos divertidos que tivemos juntos. E mando junto um abraço bem apertado de Crys (ela não pediu que eu mandasse, mas sei que gostaria de mandar)

Fica em paz, amigo!
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