Oi, tia Neném
Como vai, querida. Quanta saudade tenho de você e das nossas
conversas que aconteciam quando você passava por aqui com Abel ou quando eu ia
ver vocês em Aracaju com Roberto.
Já passou um bom tempo desde a sua despedida desta encarnação.
Tanta coisa aconteceu por aqui. Acredito que muita coisa tenha acontecido por
aí também. Depois que você partiu ainda estive umas duas ou três vezes em
Aracaju com Abel. Na primeira vez ficamos só eu e Roberto e dormimos em seu
quarto. Tive a nítida impressão de que recebi a sua visita naquela noite e que
nos abraçamos. Eu acredito nisso, você sabe.
Aqui, em sua jornada tão linda, de amor, paz, tolerância e
paciência, você demonstrou uma fé e uma intimidade fantástica com Jesus. Até
escrevi no meu outro blog, o Forquilha, que você combinou com Ele que aceitaria
o chamado sem oposição, desde que fosse na véspera do seu aniversário. Assim a
sua despedida aconteceria no dia do seu aniversário e você conseguiria reunir
pessoas queridas, como há muito não conseguia por conta dos afazeres de cada
um de nós, que estamos espalhados por várias cidades.
Não posso, portanto, deixar de ficar curiosa com esse seu tempo no plano espiritual. Como foi descobrir que a vida continua mesmo sem o corpo físico? Conversávamos muito sobre isso, lembra? Imagino sua carinha, ao acordar aí do outro lado do caminho. Com certeza, depois que lhe disseram onde estava, deve ter exclamado: "Que maravilha! Obrigada, Jesus!"
Já conseguiu saber quanto tempo, em média, as pessoas descobrem que continuam vivas, mesmo sem o corpo físico e tudo de material que deixou para trás? Li no artigo "Orientação acerca do desencarne", de Maury Rodrigues da Cruz, no site da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas - SBEE, que em geral o espírito desencarnado leva de 10 a 15 dias achando que está encarnado e que está melhorando. Mas também já ouvi que, a depender da forma que desencarnou, leva mais tempo.
Aqui tenho certeza da vida após a morte, mas também tenho curiosidades,
pois não lembro dos períodos em que devo ter retornado de outras vidas e vivido
as pausas e preparações para outra reencarnação. Nem imagino quantas eu já
tenha vivido. Será que quando chegamos no Plano Espiritual ficamos por dentro
desses detalhes? A senhora conseguiu falar com Jesus depois do seu retorno?
Presencialmente ou mentalmente, como fazemos aqui quando estamos em prece? E o que tem feito por aí?
Lembro que sua curiosidade sobre a vida após a morte tinha muitos
motivos. Um dos principais era saber da possibilidade de reencontrar Tina, sua
filha querida que partiu tão cedo, mas que esteve sempre presente em seu
coração. Do pouco que tenho lido nos livros sei que nem sempre encontramos as
pessoas amadas, depende da sintonia do espírito, do patamar evolutivo em que
cada um esteja. Mas desejo muito que este encontro, aliás, este reencontro, já tenha ocorrido e que
tanto a senhora como Tina estejam bem.
E com vovó Minice e vovô Zezinho, já se encontrou? Já conseguiu
rever e abraçar as suas queridas irmãs e irmão (mamãe, tia Teca, tia Lourinha e
tio Cicinho)? Desejo sim. Que todos estejam em paz. Viu como sou eu agora quem
faz perguntas?
Titia, nunca mais me encontrei com Abel. Volta e meia Cláudia coloca uma foto dele e dá notícias no grupo que temos no Whatsapp com primos da família Galindo Melo. Infelizmente acho que ele não me reconheceria mais. O infeliz Alzheimer prendeu a memória dele em algum lugar inacessível pra gente e até pra ele mesmo. Mas tenho certeza de que no coração de Abel, na alma dele, o amor pela senhora está lá, intacto. Ele até que tentou encontrar alguém para vencer a solidão. Eu acompanhei as tentativas. Mas elas não deram certo. Ninguém o amou e amaria como a senhora. Ninguém cuidaria dele como a amada Mercês.
Desejo profundamente que quando chegar o momento de Jesus o chamar, no
tempo que for, a senhora possa estar aí do outro lado para recebê-lo com muito
carinho. Será uma linda surpresa para ele perceber que a vida continua e que
reencontrou a mulher que amou e com quem constituiu uma linda família.
Será que você sabe que sou avó? Sou sim. Leon chegou em outubro de 2019 para alegria da família inteira. É alegre, tagarela, criativo e lindo. Sim, sou uma vó babona. Sou a vovó Danda e Roberto, o vovô Bebeto. Sou muito grata a Deus por essa benção. Acho que se você o conhecesse ia ficar encantada e diria: " Que maravilha, Danda. Como ele fala bem mesmo com tão pouca idade!”. Ia sim, tenho certeza.
Olha, aquelas conversas que tivemos sobre brincadeira de criança
lá em sua casa em Aracaju finalmente vão virar livro. Falta bem pouquinho para
que suas memórias e as de Abel, as de mamãe, as minhas e as de um monte de
gente sejam divulgadas no livro. Muito obrigada por momentos tão lindos,
viu?
Titia, vou ficando por aqui. Por favor diga aos nossos queridos e
queridas que encontrar por aí que mando um abraço bem apertado cheio de
saudade. Em suas conversas com Jesus, peça que intensifique as bênçãos por aqui. As pessoas estão se contaminando com energias de ódio. Queria tanto que viessem mais gente com a energia positiva e de amor da senhora. Precisamos disso aqui urgentemente. Que essa bênção alcance a todos nós.
Te amo.
Sua sobrinha amiga e tagarela
Vanda. Ou melhor, Danda, pois é assim que a senhora me
chama.