terça-feira, 28 de maio de 2019

Acreditar na vida após a morte consola a dor da saudade

Querida mamãe,

Perdoe-me por demorar tanto a enviar nova carta ao céu para a senhora. Por várias vezes quis lhe escrever, mas o pensamento estava tão tumultuado pelo trabalho que preferi não lhe transmitir essa energia doida da minha vida profissional.

Mas, todos os dias lhe desejo paz e digo, mentalmente, da minha saudade, do meu amor e da minha gratidão. É quase um mantra diário. O que é um mantra? É uma mensagem ou oração que fazemos repetidamente. Assim é minha mensagem diária para a senhora e papai.

Como a senhora está, minha mariquinha? Sinto falta da nossa conversa por telefone quando estou a caminho do trabalho. Há quase cinco anos faço um rodízio na ligação para meus irmãos e sobrinhos, seus filhos e netos.

Mamãe, acreditar que a vida prossegue após a morte consola. Mas deixa uma saudade maior que a saudade durante uma viagem. Afinal, não nos vemos, exceto em sonhos. E olhe que tem muito tempo que sonhei com a senhora. Será que é porque trabalho muito e não relaxo?

Sua voz ouço apenas na saudade que inunda minha alma. Sem dor. Seu sorriso vejo através das fotos do Facebook, dos incessantes zap que trocamos no roseiral e na minha lembrança. Graças a Deus tenho um monte de lembranças da sua risadinha. Hoje vi aquela foto sua com Cida, vocês duas com a mão tapando um sorrido, registrada em um dia em que estávamos tentando diminuir a bagunça do mezanino.


O calor do seu abraço sinto ao fechar os olhos, mentalizar chegando do trabalho e a senhora me esperando na varanda. Fecho os olhos e sou capaz de ouvir até o seu suspiro feliz ao receber um "abraço de caranguejo", daquele bem massageado, e beijinhos nos olhos. Assim é minha saudade.

Mamãe, apesar de ter certeza de que a senhora já sabe, vou contar duas coisas que me deixaram muito feliz agora em 2019.

A primeira é que, além de ser mãe do coração de Kaká, agora sou mãe afetiva,  com direito ao meu nome na certidão de nascimento dele, junto com o nome de Isa e de Roberto. O nome da senhora e o de papai também foram incluídos como terceiros avós. Fiquei muito, muito feliz!

A segunda é que, depois de me tornar mãe oficialmente de Kaká, também me tornarei avó. Bruna e Kaká estão "grávidos " de um menino. Leon deve chegar em outubro. Minha alma está em êxtase de tanta felicidade. De tanto amor. A gravidez de Bruna está tranquila. Ela nem teve enjoos . Estamos todos aguardando Leon com muito amor.

Mas a senhora também deve estar feliz com a chegada de mais bisnetos. Davi, de Rodrigo e neto de Tinho, que já nasceu, e Eduardo, filho de Evanice, que chega nesta semana.  Desta vez nossa família recebe no mesmo ano três meninos. Felicidade.

Estou lhe escrevendo de um quarto de hotel em São Paulo. Não fiquei na casa de Anhia ou Lu porque vim para o Congresso Nacional de Comunicação e Justiça e fica distante. E olha que coisa boa: somos finalistas no Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça. Já conversei com Deus pra ganharmos. Merecemos. Roberto desta vez não veio.

Agora que falei da minha saudade e do meu amor vou encaminhar a carta e dormir. Quem sabe não encontro a senhora em sonho. Será muito bom!

Mamãe, vou ficando por aqui, cheia de sono e saudade. Receba meu beijinho nos olhos e meu abraço. Te amo. Diga a papai que o amo e que, nesta semana ainda mando a carta dele para o céu.

Sua filha tagarela,

Vanda.

domingo, 5 de maio de 2019

Zezito Pena foi político que entendia Educação como prioridade

Olá, querido amigo


Como o tempo passa rápido. Já se passaram cinco anos desde que você foi chamado ao outro lado do caminho. Desejo que ao receber minha cartinha você esteja bem, sem resquícios das dores e feridas físicas. Que você esteja em boas companhias, em especial da sua Rosinha, e que tenha bons papos com essa voz grave, firme, e com o sorriso e o bom humor que sempre foram suas marcas registradas.

Não tenho notícias de São Sebastião do Passé. Depois da sua partida ainda voltei lá uma vez, no São João, como convidada do nossos amigos Jair e Lala. Apesar de na sua cidade querida ter permanecido pessoas por quem tenho muito carinho, como Ritinha, Cátia, Dêse e outras, não me senti muito atraída.

Mas, de você nunca esqueço. Quando a saudade bate, volta e meia, olho aqueles informativos que produzi quando o assessorava no seu mandato como prefeito de Passé. Tanta coisa você fez por aquela cidade nos oito anos em que esteve à frente da Gestão! Escolas, pavimentação, redes de esgoto, estímulo ao associativismo...Muitos podem nem lembrar, mas eu lembro. às vezes a saudade bate em meio a conversas no trabalho ou em casa. Aí envio um alô e um beijo pra você mentalmente.

De vez em quando cito você aos jornalistas e estudantes que estão sob minha coordenação na Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública. Você é minha referência de político comprometido com o bem-estar da população. Como foi difícil lhe convencer da importância de divulgar o trabalho realizado pela Prefeitura. Você se sentia incomodado de destinar qualquer tostão para publicizar o que vinha fazendo. Dizia que com aquilo podia consertar um calçamento ou fazer outras pequenas obras. E eu contrapunha que a memória do povo é curta e o que não é visto não é lembrado. Você pôde ver isso, não foi? E continua sendo assim.

Cito também você quando falo da importância de se estabelecer a confiança entre assessorado e assessor. E também da sintonia de ideias. Conto sempre emocionada sobre aquela vez em que você me pediu que redigisse uma mensagem de final de ano para os sebastianenses. Você iria gravar com Nilton César e rodar no carro de som. E me deu carta branca, como sempre, sem nenhum briefing.

No outro dia voltei a São Sebastião e fui na sua casa. Depois de almoçarmos fomos para a sala e perguntei se podia ler a mensagem. Você fez que sim, com um largo sorriso seguido de "Claro que sim, Vandinha". Quando terminei de ler em voz alta você tinha lágrimas nos olhos. Perguntei porque você chorava e recebi a resposta: " Fico emocionado com essa sintonia que existe entre nós. Você não vai acreditar. Ontem à noite fui na confraternização da APAE e falei exatamente isso que você colocou aí". Pegou na minha mão e aí foi a minha vez de ter lágrimas nos olhos. O texto que escrevi falava da importância da solidariedade com o próximo.

Zezito, sinto falta dos seus telefonemas pra gente conversar de política. Teríamos conversas ainda mais longas agora, nesse tempo tão louco aqui no Brasil. Ações estratégicas de desmonte das universidades e escolas públicas, com corte de verbas, com o objetivo de pressionar a população de que uma safada (ops, não devo escrever com estas palavra para o céu) reforma da Previdência é imprescindível. Um governo que diz agora e desdiz daqui a duas horas. Que faz e desfaz. Parece que joga balão de ensaio o tempo inteiro. Tudo está ficando de cabeça pra baixo.  Muito doido, amigo. Sabe a Educação, que você defendia como prioritária? Agora não é mais no país. Será que daí você tem acompanhado?

Será que você e dona Sílvia já se reencontram? Espero que sim. Até acredito que você a tenha recebido, tamanho era (é) o amor, o companheirismo e a cumplicidade entre vocês. Confesso que só agora, ao escrever essa cartinha, soube que ela, a sua Rosinha, também tinha seguido ao outro lado do caminho em janeiro deste ano. São ciclos fechados, né, amigo? Nós aqui ainda prosseguimos em nossas missões, que muitas vezes nem sabemos quais são.

Vou ficando por aqui. Receba minha saudade e minha gratidão por ter convivido com você por tantos anos, como profissional e amiga, compartilhando da sua vida, da sua família, por quem tenho tanto carinho.

Um grande abraço.

Vandinha.




Cuide dos laços de amor: em um piscar de olhos a vida passa

Vanda Amorim · Cuide dos laços de amor: em um piscar de olhos a vida passa Oi, tio Mariano Tudo bem? Num piscar de olhos já se passaram...

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