segunda-feira, 31 de março de 2025

Cuide dos laços de amor: em um piscar de olhos a vida passa

Oi, tio Mariano

Tudo bem? Num piscar de olhos já se passaram três anos desde o seu retorno ao lar espiritual. Refletindo aqui, vejo que nossa vida teve muitas mudanças que aconteceram em um piscar de olhos, sem que nos déssemos conta.

De criança a adolescente pareceu uma eternidade, mas foi num piscar de olhos, acompanhado de perto pelo senhor. As idas à sua casa, com a sua amada Menininha, foram diminuindo. É que, num piscar de olhos nós - a família do seu irmão Nilton - fomos envolvidos em um turbilhão de sentimentos: frustração, desilusão, mágoa... Sentimentos comuns quando a família não tem mais a exclusividade do pai. Mas o senhor continuou ali disponível com seu amor, carinho e respeito.

Em uma fase muito próxima a essa piscada, me apaixonei pela primeira vez. Recordo-me da sua surpresa e seu cuidado ao parar um carro com placa de Salvador na Guarita Principal de acesso à Vila da Chesf, onde estava trabalhando como membro da Guarda da Chesf, e descobrir que era o meu namorado querendo me visitar em nossa casa na rua L. Num piscar de olhos esse namoro foi interrompido por 10 anos e retomado desde 1989, sem novas interrupções e com um amo construído e consolidado.

Apesar do seu amor disponível, acho que a maioria dos filhos de Nicinha se afastou do senhor, que corretamente não julgou nem se afastou do seu irmão. Como adulta entendo que nosso sentimento de abandono do tio querido foi um equívoco. Mas isso acontece quando deixamos o nosso coração se encher de mágoa, né? Importante dizer também que nunca deixamos de o amar, assim como sempre amamos intensamente o nosso pai.

Num piscar de olhos fui morar no Recife, levada por Toca (Vitorinha) para me preparar para o vestibular e tentar realizar o sonho de ser jornalista. Papai foi contra, não sei se o senhor lembra. E nas vindas a Paulo Afonso o visitava. Amava seu abraço carinhoso e a atenção que me dava, mesmo quando eu interrompia o conserto de algum rádio que estava fazendo.

Voltei seis anos depois, jornalista de fato e de direito havia dois anos, com diploma, orgulhosa. E seu orgulho era igual ao meu. Mas, em novas piscadas de olhos, fui para Teixeira de Freitas, voltei e depois fui para Salvador, em 1989, onde me assentei depois de reencontrar aquele amor que o senhor quis barrar na guarita em 1979. Um amor como o seu com Menininha: companheiro, cúmplice, intenso e leal.

Num piscar de olhos o senhor saiu da Bahia para Alagoas, seu estado natal, e fez morada em Arapiraca. E a partir daí nos perdemos um pouco. Os contatos se restringiam a mensagens no Whatsapp. Nos nossos corres não fui ao seu encontro e quando o senhor ia a Paulo Afonso eu não estava. Fomos nos afastando sem que eu me desse conta.

Então, num piscar de olhos soube que o senhor estava doente por acaso, ao falar com Binha, uma das queridas irmãs trazidas por papai do seu segundo casamento.  Confesso aqui, tio Mariano, que fiquei aturdida ao saber da gravidade. E fiquei magoada por nenhum dos filhos de mamãe saber do que se passava. A mágoa lá de trás voltou forte: fomos excluídos e esquecidos, pensamos.

O novo piscar de olhos foi mais doloroso: em menos de 24 horas desde que soube da sua enfermidade, o senhor partiu sem que eu tivesse ouvido sua voz pela última vez. Partiu sem ver o livro que publiquei, com poesias que escrevi para o meu amor, Roberto.

Só agora, três anos desde o seu desencarne, sento-me para escrever essa cartinha e enviá-la ao céu, para o senhor. No coração não tenho mágoa. Tenho saudade. Ficou o aprendizado da importância de ficarmos mais atentos aos laços de amor criados desde que nascemos para que não se rompam num piscar de olhos. Hoje sinto, e sei, que sempre estive em seu coração, assim como esteve e está no meu. Aliás, estivemos, nós, filhos de Nilton, sem distinção.

Desde 2022 o senhor está em nova morada e em um corpo espiritual. Como católico fervoroso e praticante, certamente via o pós-morte diferente de mim. O senhor acredita na ressurreição (volta ao mesmo corpo, mesmo após a morte, como ocorreu com Jesus Cristo). Eu acredito na reencarnação (retorno à vida em outro corpo). Engraçado que nunca falamos sobre isso enquanto estava aqui, encarnado. Acho que em respeito à crença um do outro. Independentemente do que acreditava ser o lar espiritual, só o senhor sabe da sua realidade, que desejo ser de paz, de reencontros e de reflexão. O aprendizado deve ser constante para a evolução espiritual, né?

Meu tio querido, de onde estiver, me perdoe pelas ausências, me envie sua benção e receba meu amor, minha gratidão e minha saudade.

Da sua sobrinha Vanda.

terça-feira, 4 de junho de 2024

O vazio da sua ausência me enche de saudade

 

Querido papai

 

Hoje amanheci lenta. O senhor sabe que não sou assim. Ao contrário, sou elétrica desde o acordar. Mas acordei desse jeito e nem estava chovendo. Tomei café com Roberto e depois fui para o trabalho, mesmo sem muita vontade. Fiquei me perguntando o que eu tinha. Afinal, não era sono, pois eu tinha dormido bem. Devo ter sonhado, mas não lembro o quê.

Já no trabalho, ao olhar a data na tela do computador entendi o que estava acontecendo. Era uma moleza, um vazio motivado pela saudade. O vazio criado  por não ouvir sua voz grave, sempre com bom humor. Um vazio aberto há sete anos, quando o senhor foi chamado pelo Pai Celestial para se despir das vestes carnais e regressar ao lar espiritual. Acredito que suas outras 13 filhas e seus três  filhos devem sentir hoje o mesmo que eu, tão grande é o nosso amor pelo senhor.

Não tenho, com frequência, a bênção de um encontro com o senhor, mesmo que em sonho. Há muito tempo isso não acontece, o que faz a presença do vazio da sua ausência física ficar ainda mais intensa.

Quase todos os dias falo com o senhor e com mamãe por meio da foto de vocês dois. Oro por vocês e declaro meu amor, minha saudade e minha gratidão. Não sei como vocês recebem essa mensagem aí onde estão. Também não sei como estão, pois o que faço é só um monólogo de saudade, de uma grande saudade, tal qual esta cartinha que envio ao céu. Concentro-me para tentar sentir o calor do seu abraço, de ouvir sua risada vigorosa e grave, mas nem sempre tenho retorno. Alimento-me, então, da fé, de uma certeza que não sei explicar,  sobre vocês estarem bem, mesmo que sintam saudade de todos nós.

Olha, faço questão de ressaltar que, apesar do vazio e da lentidão de hoje, não sinto dor pela saudade. É uma saudade grande, complexa, mas sem dor. Sinto saudade das vezes que conversamos sobre amor e até das inúmeras conversas acaloradas sobre política. Conversas que aconteciam só entre mim e você. O barulho da chuva no telhado agora à noite contribui para esse clima saudoso que se instalou hoje em meu coração. Desejo que a sua saudade, papai, certamente acentuada hoje, no dia do seu renascimento espiritual, também seja indolor.

A roda da vida segue por aqui. A sua primogênita, Fátima, a quem teve com menos de 24 anos, prossegue cercada de bênçãos, caminhando para a cura. O mesmo com seu filho Roberto, que há quase cinco anos perdeu os movimentos das pernas em acidente. A vida tem sido de aprendizado para eles e para todos nós. E a vida continua nos presenteando com novos companheiros de caminhada. Desta vez quem chegou foi Anthony Miguel, filho de Everton e a esposa Camila. Sim, Everton é o pequeno corredor filho de Evanice e neto da nossa neguinha Vania e de Erivelton. Ele agora é pai de um lindo garotinho.

Mas o giro dessa roda também nos levou pessoas queridas, a exemplo de Renato de Binha. Mas creio que dessa partida o senhor já tem conhecimento. Só não sei se vocês já tiveram algum encontro por aí. Essa mudança brusca do lar físico para o lar espiritual por Renato foi um baque pra Binha e a família. Mas ela está consciente que a missão dela ainda não está cumprida e que tem que prosseguir, mesmo com saudade do amor da sua vida.

Hoje minha carta não é longa, embora em minha mente estejam passando flashes dos nossos encontros e desencontros. Eles foram muitos. Tanto de um quanto do outro. Pudesse eu teria feito com que só tivessem acontecido os encontros, mas nem sempre conseguimos fazer só o que queremos, né? Lembro-me de o senhor ter me dito isso várias vezes.

Como sempre, envio essa carta ao outro lado do caminho, mas sei que, já ao escrevê-la, com meu amor e minha mente consigo plasmá-la para chegar mais rápido até o senhor.

Papai, vamos manter-nos conectados pelo fio invisível desse amor que nos une, que o une a todos os seus filhos, netos, bisnetos (e agora trineto).

Eu o amo desde sempre e para sempre, papai. Fique em paz. Aqui também buscaremos ficar bem, até o momento do nosso regresso, do nosso reencontro, que Deus há de permitir.

Da sua filha saudosa,

Vanda.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Adeus com saudade ao nosso pé de manga

Oi, mamãe.

Tudo bem por aí? Desejo que esteja bem e em paz. Por aqui seguimos na caminhada. Alguns dias muito felizes, outros dias apenas felizes e em outros apenas caminhando. Creio que tem sido assim para todos nós e não apenas para o seu Roseiral e para a grande extensão dele.

Esse mundo aqui de encarnados sempre foi muito doido, mas parece que desde a pandemia da Covid-19, em 2020,tudo parece sem controle. Muitas pessoas estão mais intolerantes, agressivas, violentas... É tão triste acompanhar noticiários, sabia? Dá uma aflição danada. Tenho pedido muito a Deus para olhar por todos nós e que nos proteja de nós mesmos. Quando converso com Deus, do meu jeito, sinto-me alimentada por esperança que tudo vai ficar bem. Mas às vezes fico insegura, confesso.

Acho que todo mundo deveria fazer um inventário da própria vida, como eu sugeria à senhora para fazer quando estava percebendo sua tristeza. Outro dia assisti a uma série muito interessante, que aborda a saúde mental a partir da perspectiva de uma enfermeira psiquiátrica lá da Coreia do Sul, país da Ásia Oriental. O nome é Uma dose diária de sol. Em um dos episódios a psiquiatra orienta a paciente a fazer uma autobiografia para identificar o que a faz mais feliz ou menos feliz e tentar mudar. 

Eu tenho consciência que sou uma pessoa muito abençoada. Isso desde que nasci do seu ventre e cresci em um lar com tantos irmãos. Tenho um amor que me corresponde, que é companheiro. Tenho um filho que não veio do meu ventre, mas se instalou desde logo em meu coração. Recebi um neto lindo, divertido e criativo em nossas vidas. Tenho o Roseiral, emprego, onde morar... Viajo com constância para alimentar a minha sede e a de Roberto de conhecer o mundo. 

Desde o seu regresso ao lar espiritual e, posteriormente o de papai, sinto saudade de reunir a nossa família no final do ano como sempre foi tradição em nossa família. Há muito tempo não conseguimos reunir nem metade dos 11. Sei, e tento entender, que todos, ao constituírem suas próprias famílias, enfrentam seus próprios desafios e nem sempre é possível atender ao chamado da saudade das irmãs e dos irmãos. Até nossas chamadas de vídeo são mais raras. 

Mas a senhora sabe como sou. Nunca desisto. Volta e meia chamo todo mundo de surpresa. Da última vez conseguimos trazer sete ou oito. Daí, quando nos encontramos, todo mundo ri, fala ao mesmo tempo... Igual quando estávamos juntos em nossa casa em Paulo Afonso, na varanda ou em uma grande mesa debaixo do pé de manga.

Um dos momentos em que fiquei triste foi ao ver a foto do nosso pé de manga caído, seco. Um fungo tem matado muitas das mangueiras lá em Paulo Afonso e até em Salvador. Li que por Alagoas também. Em uma daquelas ventanias, que eram mais comuns em janeiro, nosso querido pé de manga não resistiu e partiu ao meio, arriando defronte a casinha de Tinho. Ao ver a foto que Verinha mandou meu peito se encheu de tristeza. Foram mais de 40 anos de sombra, de mangas deliciosas, de jogos de dominó embaixo dele. 

Vieram na mente nossos Réveillons naquela casa, debaixo daquela mangueira linda e frondosa. E o medo de mangas caírem em nossa cabeça? Ele presenciou tantas histórias ali compartilhadas nos churrascos e até quando lavávamos roupa ou os carros pertinho dela. Ele viu nossas crianças correrem desembestadas pelo quintal e pularem na piscina.




Lembrei-me de como nosso querido pé de manga sofreu quando a água já não corria livremente pela piscina e por nossas torneiras, sem custo. Com as mudanças na CHESF já não havia tanta água pra alimentá-lo, pois a água deixou de ser gratuita e se tornou muito cara. Ele sentiu a mesma sede que muitas famílias do nosso sertão, que dependem de carros-pipas. Suas raízes, fortes e corajosas, suspenderam o piso de cimento como se dissessem que precisavam de água. A quantidade de mangas, pouco a pouco, foi diminuindo. A imunidade dele foi fragilizando e infelizmente, suas raízes e troncos foram atingidos cruel e impiedosamente por uma praga que coloca um fungo. Perdeu as folhas e frutos até que a ventania forte o dobrou ao meio.


A foto vai mostrar o quintal da nossa casa, da sua casa aqui na terra, ainda mais vazio. Mas vamos buscar plantar um novo, em homenagem à linda história do nosso pé de manga, à  linda história de amor do Roseiral. 

Desejo que nosso Roseiral permaneça, sem esforço, com os laços que nos unem fortes, mesmo que nossos encontros agora ocorrem mais de forma remota, por celulares, tabletes ou computadores. O importante é acontecerem.

Mamãe, eu a amo desde sempre e para sempre. Creio que de outras vidas, nesta vida e em outras que virão. Um amor que se estende a cada um dos seus filhos, netos e bisnetos. Que sua benção nos alcance sempre, ao tempo em que recebe meu abraço de caranguejo, meu amor, minha saudade e minha gratidão.

Da sua filha tagarela.

Vanda.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Minha mãe é nosso anjo da guarda


Oi, mamãe!

Quanta saudade estou da senhora, mariquinha. Uma saudade imensa, tamanho do universo! Nunca mais a encontrei em meus sonhos, apesar de sempre pedir em minhas conversas com Deus. Mas acho que sei o motivo: a senhora e papai estavam muito dedicados a cuidar dos filhos, mesmo aí do céu, né? Tenho certeza que sim.

É, mamãe. Este ano realmente tem sido muito atribulado. Foram muitos sobressaltos, muita inquietação por causa dos problemas de saúde com alguns do seu roseiral. Mas também foi um ano de muito exercício de fé. Nos unimos e pedimos muito a Deus e a Nossa Senhora para ajudar. E sabíamos, sentíamos, na verdade, que vocês dois estavam ali a postos. Que prova de amor tão linda! 

Como a senhora sabe, nossas preces foram ouvidas e temos muita gratidão a Deus, a Nossa Senhora e a todos os santos a quem rogamos. Tata está bem na casa dela; Tinho está com exames para buscar transplante de rim e Bepe provavelmente não precisará mais fazer hemodiálise. Bepe ainda não alcançou o milagre que almeja e que todos nós do Roseiral também pedimos: a restauração dos seus movimentos. Mas cremos, confiamos e aguardamos. Nada é impossível para Deus. Assim eu penso e tenho certeza que a senhora e papai também pensam igual. 

Aliás, mamãe, o seu roseiral continua abençoado. São muitas as bençãos. Vanessa conseguiu um emprego como o que almejava. Am está trabalhando com educação infantil (imagine essa maluquinha brincando com crianças de 3 anos). Italo finalmente conseguiu mudar de emprego e agora não precisa ficar correndo risco na estrada  por trabalhar  em outra cidade. Sandro finalmente teve o enquadramento que aguardava no governo federal e também vai poder ficar em Paulo Afonso. Victor foi contratado por uma empresa na área de tecnologia, que é a que ele  está investindo agora. Aninha continua investindo em sua formação como coach. E Junior está bem. São inúmeras as bençãos, né? 

Como não ter gratidão a Deus? Como não agradecer à senhora, nosso anjo da guarda? Como não agradecer a papai? Claro, pois juntos vocês têm olhado e intercedido por nós. Em um post na página Espiritismo Brasil Chico Xavier, no Facebook, diz que "os desencarnados nos acompanham, sentem nossas alegrias, procuram nos ajudar em nossas aflições e recebem nossas preces e pensamentos, sendo estes últimos os sinais mais comuns de partilhamento de emoções. Por isso, mesmo não tendo alguém mais conosco no mesmo plano físico de existência, conseguimos nos conectar com aqueles que estão do outro lado da vida". Eu acredito nisso. Os demais do Roseiral também, independentemente da religião que abraçaram.

Mas, mamãe, queria muito saber como a senhora está. Nesses 9 anos e dois meses do seu regresso ao lar espiritual já se acostumou com a vida aí? Ou será que sente muita falta daqui? Na doutrina espírita, segundo li no blog Conteúdo Espírita,  é dito que "a melhor maneira de saber se a pessoa que desencarnou está bem é analisando a forma como ela viveu e quais foram suas obras e sua moral". Então devo ficar tranquila, pois a senhora foi só amor, dedicação, generosidade, caridade, perdão... só fez o bem, começando com seus pais e irmãs e irmãos, com papai, e conosco, seus 11 filhos, netos e bisnetos.

Tem encontrado vovó Minice e vovô Zezinho? E tia Neném, tia Teca e tio Cicinho? Alguma vez encontrou tia Lourinha, que partiu tão cedo? Ou será que ela está reencarnada? Quando encontrar com eles e elas diga que mandei um abraço e que sinto saudade. Mas diga também que sou grata pelos momentos que vivi com cada um deles, viu, inclusive Tenide. 

Estava olhando aqui umas fotos e encontrei essas, que envio para a senhora também matar a saudade aí no céu. Mostre pra papai, tia Neném, vovó Minice e vovô Zezinho, tá?

Minha tia Neném e minha mãe. Nicinha
Seu encontro com tia Neném em minha casa. Lindas!

Vovó Minice e vovô Zezinho com Caca, Val e Evanice, criancinhas.

A senhora e papai com a primogênita amada, Tata.

Depois vou atualizar as fotos dos bisnetos para mandar pra vocês. Henri, de Betinho e Rafaela, fez 1 ano em setembro. Lindo! Estão todos lindos e bem, com saúde e amor, graças a Deus!!

Mamãe, vou ficando por aqui. Receba meu abraço de caranguejo, bem massageado, e beijinhos nos olhos. Te amo. Te amo. Te amo. Te amo.

Sua filha tagarela,

Vanda.



quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Amizade daqui segue no outro lado do caminho


Oi, Romildo


Ei, amigo, como vai? A última vez que mandei uma cartinha foi logo depois quea seguiu para o outro lado do caminho, de volta ao lar espiritual. Já se passaram três anos e alguns meses, rapaz. Muito rápido. Não sei se por aí a sensação do passar do tempo é a mesma, mas aqui tá acelerado. 

Queria muito saber de você, apesar de estar consciente  que esta cartinha é um monólogo e sem direito assegurado a uma resposta. Mesmo assim vou lhe bombardear com perguntas. Preparado?

Você já conseguiu se libertar das dores que a sua enfermidade causou?

Encontrou seus familiares e amigos que seguiram antes?

O que você faz aí? 

Quando será que você estará zero bala para encarar uma nova encarnação? 

Como assim, reencarnar, deve dizer você. Oxe, amigo, acho que nesse tempo em que você se encontra aí já deve estar consciente que embora sem o corpo, você vive; que dentro de algum tempo poderá reencarnar. Ou será que talvez seja cedo para falar sobre isso?

Romildo, todos nós aqui, do grupo de amigos-vizinhos,  seguimos a recomendação de Santo Agostinho na mensagem sobre o outro lado do caminho. Lembramos de você com saudade, mas sempre damos risadas das lembranças tão boas. Ah, claro que lamentamos que você tenha sido chamado para retornar tão cedo. Se acende uma luzinha, ou soa um alarme, todas as vezes que falamos de você e com você, deve ser uma agitação. Desculpa aí a bagunça.  Mas é assim mesmo quando amamos tanto um amigo que está desse lado aí. 

Entre maio e junho, então,  falamos um bocado de você.  Mas só eu e Roberto, em nossa viagem de férias. Viajamos sozinhos de novo pela Europa. E muita coisa lembrou você e seus comentários. Falamos seu nome e rimos juntos quando falávamos das comidas diferentes. Você dizia que nos outros países os turistas comiam mal porque a comida era muito estranha e cara. E dessa vez a coisa tava cara. Ave Maria! Ficaremos felizes se você tiver sentido nossa vibracao e rido conosco. 

Em mais uma vez o seu amigo-irmão Gato conseguiu programar uma viagem longa, de 35 dias,  por ter um feriado no fim do roteiro. Ele é craque nisso, lembra? Andamos muito. Bota muito nisso. Não batemos ainda o recorde das 12 horas de caminhada de lá de Buenos Aires. A média dessa vez foi oito, com máximo de 9 horas batendo perna pelas ruas. Os recordes foram pra quantidade de locais visitados:  11 cidades em nove países. 

Acho que você ia adorar conhecer Edimburgo, a capital da Escócia. 

Também  bateu recorde os calos em  meus pés. Haja curativos. Ainda bem que encontrei em Londres uma caixinha com 100 deles. Como sou precavida, comprei logo duas caixas. Isso sem contar a caixinha que trouxe na bagagem. Só pra você ter uma ideia, das caminhadas,  deixei pra trás um tênis e uma sandália. Ficaram um caco. Tá  bom... tá bom... já eram bem batidinhos de viagens anteriores, é verdade. Hahaha.

Desculpa aí por não ter incluído sua amada Heloísa nessa viagem.  Acho que você lembra muito bem o motivo, né? Só viajamos com casais. Nada de levar vela. Mas Isa está muito bem inserida no grupo e nos encontros que fazemos em rodízio. Como não estaria? 

Cara, você vai ser vovô!!! Mas isso você já sabe, né? No Chá Revelação (aquele em que se revela o sexo do bebê) falamos muito de você, principalmente depois que foi revelado que Natália vai ter menina (Luana). Eu pedi e ela deixou eu colocar nessa cartinha uma foto dela com a filhinha no forninho e a vovó Heloisa.

Olha aqui seus amores.

Juro que todo mundo queria você presente pra tirar sarro da sua cara. Além de "painho" agora se derreteria com um "voinho" ou "vovô " ou "meu vovô ".  A curiosidade é muita pra saber como foi o seu sorriso de vovô babão igual a todos nós do grupo. Gerson e Celeste agora têm duas netas. Abelardo e Simone têm três,  mas os de Márcio moram agora no Canadá.  Lembra que ele estava pra mudar antes da pandemia? Então... Roberto e eu continuamos com um. 

Nessa semana sentimos muita saudade, por causa do seu aniversário na terra,  celebrado dia 23 de agosto. Mas é assim mesmo, né? Um dia nos reencontraremos.

Amigo, vou ficando por aqui, viu?  Um grande abraço meu e do seu amigo-irmão Roberto,  o gato.

Sua amiga, a coordenadora do grupo dos amigos-vizinhos, nomeada por você. 

Vanda.


domingo, 13 de agosto de 2023

Um abraço do Dia dos Pais para meu pai lá no céu

 

Oi, papai!
Como vai, galeguinho? 


Recebeu aí a energia de amor e saudade de todos nós nestes dois dias? Acredito que sim. São duas datas inesquecíveis para nós, suas filhas e filhos, netas e netos. A data do seu nascimento nesta encarnação, 12 de agosto, e o Dia dos Pais, que neste ano caiu um dia depois.  Se sua missão aqui na terra tivesse prosseguido, teria celebrado 90 anos. A semana inteira ficamos em busca de fotos com o senhor, atiçando nossas lembranças. Poderia dizer que apenas eu fiz isso, mas não é verdade. Nem preciso, né, pois o senhor conhece seus filhos desta última encarnação.

Neste domingo passei a manhã ouvindo um dos seus cantores preferidos: Altemar Dutra (Sentimental eu sou...). Roberto foi para o baba do Dia dos Pais com Kaká e Leon. Então aproveitei para matar a saudade do senhor. Mais de três horas de música no Youtube. Quando Roberto chegou e ouviu, já sabia que eu estava com saudade. Ouvi tanto quando criança com o senhor que sei cantar praticamente todas. Vou cantando e vendo o senhor ali na poltrona da nossa casa da Rua L, na Chesf, em Paulo Afonso, pertinho da nossa radiola. Fui até pesquisar aqui na internet e encontrei um modelo parecido. Aí é que me vi perto com o senhor, com a recomendação para termos cuidado com a delicada agulha, para não entortá-la e nem arranhar os discos. Claro que nós, crianças, nem podíamos colocar disco, porque era risco certo de algo dar errado.


Papai, quero tanto sonhar mais com o senhor, ter um encontro espiritual. Claro que sei que muita gente não acredita nisso, mas eu acredito e isso me basta. E sei que o senhor também acredita, aliás, sabe que é verdade, agora que está aí do outro lado do caminho e viu que a vida prossegue após a morte, embora sem o corpo físico.

Sei que, de onde está, continua olhando por nós e deve ficar às vezes muito preocupado com os desafios enfrentados por alguns dos seus filhos e filhas. Nós também ficamos aqui. Mas, como somos pessoas de muita fé, mesmo que de diversas religiões, temos conversado insistentemente com Deus para que ele intensifique os cuidados para os que mais precisam, regenerando a saúde de todos. O senhor sabe como somos barulhentas (e barulhentos), né? Mas Deus tem nos ouvido e  já obtivemos muitas bençãos. Somos só gratidão.

E a sua saúde? Já a recuperou totalmente? Sua visão está restabelecida? Tomara que sim e que o senhor esteja vendo e apreciando as belezas da colônia onde está aí no outro lado do caminho. Está trabalhando por aí? 

Como não sei quando será o meu retorno, não há garantias que eu o encontre quando isso acontecer. Li no Livro dos Espíritos, onde estão as respostas de espíritos superiores a Allan Kardec, que isso - esse encontro - dependerá da evolução em que estivermos. E ainda dependerá se o senhor terá reencarnado ou não, porque a evolução requer reencarnação. Meu desejo é que possamos nos encontrar. Mas, enquanto isso não acontece, que possamos nos encontrar nos sonhos. Eu amarei.

Papai, eu voltei a levantar dados para nossa árvore genealógica. Depois do seu regresso não consegui recuperar aquelas anotações que fiz e que havia deixado com o senhor. Então, tou correndo atrás, buscando informações com os primos de Alagoas. Quero saber mais sobre as minhas famílias originárias. As da sua parte e as da parte de mamãe. Bora ver o que consigo. Se puder me dar alguma inspiração sinta-se à vontade, viu?


Ah! Gostou das fotos que lhe mandei na última cartinha, sobre os lugares que visitei nas férias desse ano? Espero que sim. Roberto e eu amamos a viagem.

Hoje minha cartinha não será longa, embora esteja sempre com muito amor e saudade. Que o senhor esteja bem e continue assim. Receba meu abraço carinhoso. Amo muito o senhor. Fica em paz!

Da sua filha tagarela,

Vanda.


domingo, 4 de junho de 2023

Papai - hoje o céu está azul como os seus olhos

 

Oi, papai.


Como o tempo passa rápido,  né? Já se passaram seis anos desde o seu regresso ao lar espiritual após esta reencarnação em que tive a honra de ser sua filha.

Hoje, 4 de junho de 2023, dia do seu renascimento no lar espiritual, amanheci em mais um dia das minhas férias. Estou neste momento em Praga, capital da República Checa.  Roberto e eu estamos bem longe de casa desta vez e ainda avançaremos mais. Amanhã vamos para a Áustria. 

Acordei e vi pela janela um dia lindo, de céu azul da cor dos seus olhos. Bateu uma saudade danada, sabia? Saudade, inclusive, de telefonar durante as viagens para falar do novo país que estou conhecendo. Eu adorava ver seu entusiasmo em me ouvir descrever o que eu tinha percebido de cada lugar.

Hoje eu conto por aqui que neste ano fecharei visitas em quatro novos países - Pais de Gales e Escócia,  no Reino Unido, Alemanha, República Checa e Áustria.  Mas a viagem inclui outros por onde já passamos- Portugal, Inglaterra e Espanha. 

Todos países muito bonitos, mas a cidade que mais nos encantou até agora realmente é Praga. Linda, antiga, espaçosa, cheia de jardins.

Desta vez não me inteirei muito da parte política.  Viver a politica no Brasil tem sido bem desgastante. 

Na minha saudade desta manhã de primavera aqui em Praga fui buscar músicas que me lembram o senhor. Músicas de Nelson Gonçalves.  Escolhi uma para lhe homenagear: A noite do meu bem.

"Hoje eu quero a rosa mais linda que houver, e a primeira estrela que vier, para enfeitar a noite do meu bem..."

Ouvir Nelson Gonçalves me faz voltar no tempo e o ver sentado na poltrona da sala ouvindo música, sendo puxado por nós, suas filhas pequenas, para dançar. Sinto-me como se estivesse com meus pés em cima dos seus e dançasse conduzida pelos seus braços, girando. Como amei tudo aquilo, papai. Amo dançar e ouvir todos os tipos de música por sua causa. Obrigada.

Papai, o senhor sabe que viajei com o coração apertado por conta da enfermidade que acomete neste momento a sua primogênita querida. Mas, daqui de onde estou, faço minhas preces. Em meus passeios estão incluídas as igrejas,  católicas e também anglicanas, como foi em Berlim e Edimburgo. Em todos esses templos peço intercessão por ela. 

Sei que o senhor e mamãe estão, aí do lado espiritual, olhando por ela e por todos nós. Temos um amor que a morte deste último corpo de vocês não fez acabar. Os amaremos sempre. Seremos gratas sempre.

Vou deixar uma foto de cada lugar desta viagem pro senhor. Mostre pra mamãe,  por favor. Espero que gostem. 

Em Lisboa provamos um mix de bacalhau. Sem nenhuma espinha. Delicioso.

Cardiff - País de Gales 


Liverpool - Inglaterra, terra dos Beatles 

Berlim - Alemanha,  monumento aos judeus mortos no holocausto

Londres - Inglaterra 


Edimburgo - Escócia 

Praga - República Checa

Fico por aqui, seguindo nas férias até dia 11 e peço a sua benção para que tudo continue na paz que encontramos até aqui. 

Te amo, papai.

Sua filha viajeira e tagarela,

Vanda.




Cuide dos laços de amor: em um piscar de olhos a vida passa

Vanda Amorim · Cuide dos laços de amor: em um piscar de olhos a vida passa Oi, tio Mariano Tudo bem? Num piscar de olhos já se passaram...

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