Minha Mariquinha,
Desculpas por tanto tempo sem escrever deve ser a primeira coisa a lhe dizer, mesmo que diariamente eu lhe envie, mentalmente, conversas curtas sobre mim, sobre nós, sobre o Roseiral, sobre tudo.
Como não sei concretamente como é a sua agenda por aí, acabo mandando telepaticamente mensagens curtas para não lhe atrapalhar. Mas, carta é carta, né? E não sei fazer carta pequena. Quem sabe bem é Roberto, que recebeu minhas cartas de amor longuíssimas quando namorávamos.
Tá rindo, né? Mas a senhora sabe como ninguém que sou tagarela, seja falando ou escrevendo. Quem mandou colocar o pinto pra piar na minha boca só porque eu não falava quase nada aos 2 anos de idade?
Hoje é Sexta-feira da Paixão. Semana Santa. E ver Roberto preparando um Polvo a Lagareiro para levar ao almoço na casa das meninas me trouxe muita saudade dos feriados em que você preparava almoço pra todos nós. Daquele tempo em que nenhum dos filhos ainda tinha abandonado o ninho.
Naquela época eu não era muito chegada a peixe. Morria de medo de me engasgar com espinhas. Mas o cheiro do seu peixe era muito bom. E eu comia porque a senhora me orientava a colocar farinha. Com o tempo, e com a convivência com Roberto, aprendi a gostar um pouco mais de peixes, de frutos do mar.
Acho, mamãe, que se aí tiver um alarme de saudade para cada um de vocês que está do outro lado do caminho, hoje o seu disparou desde as primeiras horas do dia, acionado por nossas corujinhas que dormem tarde (Tata e Luciana).
Falei ontem com papai e ele estava com a voz muito boa. Disse que tem dormido bem, apesar de acordar algumas vezes na noite pra ir ao banheiro. Ele acredita que é porque dorme com o ar condicionado ligado e o frio aumenta a vontade de urinar. Mas que volta pra cama e dorme de novo logo em seguida.
Sei agora a quem puxei nesse ponto. Posso levantar várias vezes, mas volto e num segundo estou dormindo. E sonhando. Igual a papai. Pena que não tenho sonhado com a senhora. Pelo menos não que eu lembre ao acordar.
As coisas aqui no Brasil vão de mal a pior. O governo (#foratemer -, desculpe, é força do hábito) tem buscado retirar todas as conquistas do povo brasileiro, alcançadas com tanta luta.
Roberto, que queria ficar trabalhando até os 60 anos nos Correios, terá que sair já em junho próximo. Fizeram um plano de demissão incentivada que é uma sacanagem com as pessoas que se dedicaram tantos anos à empresa.
São tantos os políticos envolvidos com a corrupção que daqui a pouco vai ter que dissolver o Senado e a Câmara Federal, tirar presidente e ministros, e chamar novas eleições, com novas regras. Que só possa ser eleito quem nunca teve mandato. Muito triste tudo isso, mamãe.
Mas nunca perco as esperanças de termos um mundo melhor, um Brasil melhor. Continuo fazendo a minha parte, alimentada por seus ensinamentos de ética, de solidariedade, de responsabilidade. Que sorte a minha e dos meus irmãos que tivemos você e papai como pais nesta encarnação. Sou sempre grata.
Vou ficando por aqui porque temos que ir para a casa das meninas. Ah! Avise aí aos meus queridos que estão desse outro lado do caminho que agora tenho uma caixa de correspondência exclusiva para falar com vocês. É este blog "cartas ao outro lado do caminho", que tem como título "Monólogos de Saudade". Depois mando cartas para os demais.
Fica em paz que eu fico por aqui com a sua benção.
Sua filha tagarela,
Vanda.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
CARTA AO CÉU - Parabéns é para quem você ama
Oi, mamãe
Desculpe ter passado tanto tempo sem escrever para você. Aliás, há muito tempo não escrevo para as pessoas também.
Sabe, passei a semana passada ansiosa, na expectativa da sua chegada para celebramos o seu aniversário na quarta-feira, 16 de dezembro. Afinal, sempre era por volta do dia 13 que você vinha para Salvador da sua temporada no Recife, para comemorarmos sua nova idade junto com a querida maluquinha Iolanda e para o Natal. Ansiedade igual ficaram minhas irmãs, cada uma em suas casas e do jeito delas, no desejo de lhe abraçar, de lhe desejar saúde e paz, de agradecer por nos ter recebido como filhas.
Sei que muita gente não entende porque agimos assim. Afinal, você retornou ao lar espiritual há 1 ano, 4 meses e 16 dias. Mas fazemos isso por um motivo simples: sabemos que você vive. Que você está viva e conectada conosco através do amor imenso que sentimos.
Procurei tornar mais fina a sintonia entre nós duas desde os primeiros minutos do dia que marca a sua chegada aqui nessa dimensão para sua última encarnação. Fiz minhas preces e emanei todo o amor e gratidão que tenho por você, mariquinha. Pedi a Deus a oportunidade de abraçá-la em sonho e lembrar desse encontro e desse abraço.
Ao acordar, procurei me vestir com a sua cor preferida. Coloquei vestido e sapato azuis, que contrastaram com meu cabelo vermelho (venho mantendo essa cor, que você tanto gostou e que realça os meus olhos esverdeados). Roberto perguntou para onde eu ia vestida assim. Pensou que tinha alguma coisa especial no trabalho. Eu respondi que tinha me arrumado pelo seu aniversário e que à noite iria com Cida para a missa na Igreja Nossa Senhora Aparecida em sua homenagem.
O dia no trabalho teve momentos estressantes e acabei me atrasando. Decidimos, então, que faríamos uma celebração íntima, com um evangelho no lar. Mas eis que a espiritualidade entrou em ação e programou uma missa ao ar livre, sob árvores, no condomínio em que Cida mora, para o horário em que cheguei lá.
Sabe qual música tocava na hora que cheguei? A oração de São Francisco. Perfeito, né? A missa foi linda, com muitas músicas, dedicada a você, mamãe e a outras pessoas e aniversariantes. Acho que nossa emoção foi tanta, assim como a certeza que você adoraria essa missa, que sentimos sua presença ao nosso lado ao cantarmos o Pai Nosso de mãos dadas. Voltamos para o apartamento abraçadas e de coração leve.
Mas aniversário tem que também ter parabéns, né? Por isso subimos ao apartamento de Cida e lá, junto com Paulo, com um panetone com chocolate (hummmmmm) e uma vela, cantamos parabéns para você, mamãe. Pedimos que Deus lhe dê muita saúde e paz nesse seu caminhar espiritual. Temos certeza que os anjos disseram amém!
Ficamos felizes por ter certeza da conexão de amor. Principalmente por termos ouvido na missa que quando há amor há ligação na terra e no céu. E temos muito amor por você. Parabéns, mamãe. E obrigada por tudo.
P.S. - A saudade é grande, viu, mulher? Mas vamos suprindo com a lembrança de tantos momentos lindos que vivemos, principalmente nesse período. Ah! Esse ano o Natal não será celebrado na minha casa. Como tia Regina está com 102 anos e cansadinha, precisa evitar muitos deslocamentos. Por isso transferimos para a casa das irmãs de Roberto. Como você sabe o caminho... Qualquer coisa é só sintonizar comigo. E nosso encontro de Réveillon será na casa de Tata e Antão. O caminho desta você também conhece. Beijos.
Sua filha tagarela,
Vanda
CARTA AO CÉU - O difícil dia das mães sem a mãe
Oi, mamãe!
Tanto tempo faz que não lhe escrevo, né? A senhora me conhece bem e sabe que quando silencio na escrita é porque minha mente está em turbilhão. Quando estou assim, mando mensagens apenas mentalmente. E tenho lhe enviada muitas, todos os dias; em algumas vezes, mais de uma ao dia. Mas hoje, dia oficial dedicado às mães, não poderia ficar sem mandar essa carta para o céu.
Tenho certeza que hoje teve muita ligação mental para a senhora desses filhos todos que recebeu nesta encarnação. Dessa vez deve ter sido difícil registrar quem se conectou primeiro. Não deve ser fácil receber ligações mentais de 11 filhos saudosos ao mesmo tempo, mas acredito que a senhora teve o amparo espiritual necessário, assim como estamos tendo aqui nesse momento.
Não tivemos como lhe dar algo material, como sempre fizemos. A reforma da sua cadeira preferida foi o último presente. E o fato de ela estar ali na saleta, sem a sua presença física, aumenta mais ainda a saudade da gente, em especial de Verinha, Tata e Bepe, que estão em Paulo Afonso.
Acredito que o amor reafirmado hoje, com tanta intensidade por todos nós, deve ter lhe deixado feliz. Se pudéssemos escolher, queríamos que estivesse ao nosso lado fisicamente. Mas isso não estava em nossas mãos para decidir. Apenas procuramos entender e aceitar, acreditando fervorosamente que a senhora hoje está bem. Tivemos, inclusive, algumas informações sobre a sua vida na espiritualidade. A senhora sabe que tem gente que não acredita nisso, mas a maioria dos seus filhos acredita. E serena nosso coração saber que seu caminhar prossegue para a evolução, cuidando fraternalmente daqueles que precisam de alguma ajuda aí onde se encontra.
Aqui a nossa vida prossegue. Como já deve saber, retornei para a Defensoria Pública e estou tentando dar o melhor de mim profissionalmente. Sei que está dizendo que eu tome cuidado para não extrapolar nos horários, para priorizar a família e a saúde. Procurarei fazer isso, tenha certeza. Se eu não cumprir depois de passar a Semana da Defensoria, pode puxar a minha orelha.
Entre nós, seus filhos, ainda tem algumas arengas. Como poderia acabar de uma hora pra outra, né? A senhora conhece bem cada um de nós. Mas, vamos continuar tentando estabelecer uma harmonia mais duradoura e estável.
Nosso pai continua o mesmo de sempre, adiando as idas aos médicos e trabalhando todos os dias na eletrônica. Como as operadoras de telefonia aqui na terra estão cada vez piores, e a Tim não foge à regra, principalmente em Paulo Afonso, temos dificuldade de falar com ele com maior frequência. Mas continuamos enviando a papai, mentalmente, fluidos de amor para que viva com saúde no corpo e paz no coração e no espírito.
Caso encontre por aí as outras mães que amamos e que já retornaram, dê um beijo nelas por nós. Em especial para vovó Minice e vovó Floriza, tia Neném e Tina, e Tenide.
Receba um beijo em cada um desses olhinhos lindos e um abraço de caranguejo, transmitindo todo o amor e saudade que sinto.
Da sua filha tagarela,
Vanda.
CARTA AO CÉU: Encontramos en el camino lo que llevamos en el corazón
Aqui migro a terceira carta, publicada em 12 de novembro de 2014 no forquilha.blogspot.com.
Querida mamãe
Como vai, luz da minha vida? Tá tudo direitinho com a senhora aí no Céu? Já se habituou à sua nova vida? Desejo que haja brilho em seus olhos. Sei que não deve ser fácil e que a saudade, que pode ser confundida com a tristeza, deve estar batendo forte em seu coração da mesma forma que bate em nós. Mas não se deixe abater pela saudade que emitimos pra você, viu? Olha, estou ansiosa pra lhe contar sobre a nossa viagem e por isso lhe escrevo esta carta.
Lembra que uma das minhas parábolas preferidas é aquela que diz que encontramos no caminho aquilo que levamos no coração? A senhora sabe que Roberto e eu somos do bem. E então, só encontramos gente legal. Acredita que pedimos uma informação a uma mulher num ônibus em Bogotá, capital da Colômbia, e como ela não sabia responder ligou do celular para a filha? Como íamos descer na mesma parada ela ainda seguiu junto e mostrou como chegar onde queríamos. Foi perigoso? Sei que podíamos ser alvo de uma armadilha, mas seguimos o nosso coração.
Não se preocupe que tomamos cuidado. Andamos bastante pelo Centro Histórico de Bogotá, pela Zona T, onde tem muitos restaurantes e bares, e subimos de teleférico ao Cerro de MonSerrate. Lá tem o Santuário do Senhor Caído e uma via crucis. Como fica a 3.152 metros sobre o nível do mar (altitude), cansa um pouquinho, Pra senhora ter uma ideia, Paulo Afonso fica só a 243 metros e Salvador a apenas 8 metros sobre o nível do mar. Aí já viu como respirar fica um pouquinho mais difícil, né? Mas, sabia que mesmo assim na Semana Santa os fiéis fazem essa via crucis em peregrinação? E pensar que algumas das suas rosas acham que a Serra do Retiro, em Glória, que tem 150 metros de altura e é caminho de peregrinação também, é muito alta.
Com tantas notícias sobre os grupos políticos violentos da Colômbia, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), confesso que tínhamos medo de conhecer o país. Mas como é sabido que o governo colombiano tem buscado a paz depois de causar várias baixas nesse grupo considerado terrorista, decidimos ousar. E não nos arrependemos. Encontramos uma cidade muito organizada e com pessoas mais confiantes nas ruas: nativos e turistas. A senhora iria gostar de ver aquela cidade com seus prédios feitos de tijolinho, que eles chamam de ladrilho.
Mamãe, as ruas são monitoradas por jovens que estão prestando serviço militar. Tem um a cada intervalo de menos de 50 metros. Na Colômbia o serviço militar também é obrigatório e o recruta (como chamamos no Brasil) pode servir no exército ou na polícia, por um ou dois anos. Com seus casacos verde-abacate podem ser visto à distância e são atenciosos e simpáticos. Ao menos foram assim conosco. Bem que no Brasil poderiam fazer a mesma coisa, não é?
Ah! O transporte público, apesar de lotado nos horários de pico, é muito bom comparado com o nosso. Com a Transmilênio eles tem estações de norte a sul, com três partes que eles chamam de vagões e linhas de A a J. Os ônibus são daqueles grandes, articulados, e passam a intervalos de 5 a 15 minutos, A passagem é de $ 1.800 pesos colombianos nos horários de pico e $ 1.500 nos outros horários. Em real isso fica aproximadamente R$ 1,30 e R$ 1,19. Muito mais barato que em Salvador, que está R$ 2,80.Só usamos táxi à noite. Pra variar conversamos muito com o taxista. Así que puedo practicar mi español.
Mulher, esta viagem fez a saudade de você bater forte. É muito estranho passar em cada cidade e não poder mais comprar um presente pra você. Afinal, a senhora não precisa mais disso. Situações assim é que dificultam um pouquinho a saudade. Quando vejo os casaquinhos, então, sinto um friozinho na barriga pensando em como você ficaria linda com eles. Saudade é assim, né? Não se preocupe. Compartilho mentalmente com a senhora cada canto que visito. Tomara que possa receber minhas mensagens e minhas emoções. Depois lhe falarei sobre a Catedral de Sal.
Receba o abraço de caranguejo e o beijinho em seus olhos dessa filha tagarela.
Com amor,
Vanda.
Querida mamãe
Como vai, luz da minha vida? Tá tudo direitinho com a senhora aí no Céu? Já se habituou à sua nova vida? Desejo que haja brilho em seus olhos. Sei que não deve ser fácil e que a saudade, que pode ser confundida com a tristeza, deve estar batendo forte em seu coração da mesma forma que bate em nós. Mas não se deixe abater pela saudade que emitimos pra você, viu? Olha, estou ansiosa pra lhe contar sobre a nossa viagem e por isso lhe escrevo esta carta.
Lembra que uma das minhas parábolas preferidas é aquela que diz que encontramos no caminho aquilo que levamos no coração? A senhora sabe que Roberto e eu somos do bem. E então, só encontramos gente legal. Acredita que pedimos uma informação a uma mulher num ônibus em Bogotá, capital da Colômbia, e como ela não sabia responder ligou do celular para a filha? Como íamos descer na mesma parada ela ainda seguiu junto e mostrou como chegar onde queríamos. Foi perigoso? Sei que podíamos ser alvo de uma armadilha, mas seguimos o nosso coração.
Com tantas notícias sobre os grupos políticos violentos da Colômbia, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), confesso que tínhamos medo de conhecer o país. Mas como é sabido que o governo colombiano tem buscado a paz depois de causar várias baixas nesse grupo considerado terrorista, decidimos ousar. E não nos arrependemos. Encontramos uma cidade muito organizada e com pessoas mais confiantes nas ruas: nativos e turistas. A senhora iria gostar de ver aquela cidade com seus prédios feitos de tijolinho, que eles chamam de ladrilho.
Mamãe, as ruas são monitoradas por jovens que estão prestando serviço militar. Tem um a cada intervalo de menos de 50 metros. Na Colômbia o serviço militar também é obrigatório e o recruta (como chamamos no Brasil) pode servir no exército ou na polícia, por um ou dois anos. Com seus casacos verde-abacate podem ser visto à distância e são atenciosos e simpáticos. Ao menos foram assim conosco. Bem que no Brasil poderiam fazer a mesma coisa, não é?

Mulher, esta viagem fez a saudade de você bater forte. É muito estranho passar em cada cidade e não poder mais comprar um presente pra você. Afinal, a senhora não precisa mais disso. Situações assim é que dificultam um pouquinho a saudade. Quando vejo os casaquinhos, então, sinto um friozinho na barriga pensando em como você ficaria linda com eles. Saudade é assim, né? Não se preocupe. Compartilho mentalmente com a senhora cada canto que visito. Tomara que possa receber minhas mensagens e minhas emoções. Depois lhe falarei sobre a Catedral de Sal.
Receba o abraço de caranguejo e o beijinho em seus olhos dessa filha tagarela.
Com amor,
Vanda.
CARTA AO CÉU - O que significa finados?
Esta foi a segunda carta, publicada em 02 de novembro de 2014 no forquilha.blogspot.com.
Querida mamãe
Como passou nesses últimos dias? Desejo que bem, apesar de toda a saudade recheada de tristeza emitida hoje por seus queridos, pela passagem do Dia de Finados. Achamos que você partiu muito cedo. Tá certo. Setenta e sete anos e meio não é tão cedo. Mas é que quando amamos desejamos não nos separar nunca. E você sabe que suas crias, mesmo morando em estados diferentes, sempre foram muito grudadas à senhora, né?
A senhora sabe que a maioria de nós não pode ir à Paulo Afonso, render homenagem no local onde repousa os seus despojos carnais, juntos aos do seu pai, vovô Zezinho, sua mãe, vovó Minice, e sua irmã caçula, tia Nenen. Mas tenho certeza que percebeu nossos pensamentos e nossos sentimentos de cada canto que estamos.
Sabe o que fui fazer hoje depois da minha prece e conversa matinal dirigida a você? Fui cuidar do corpo e da mente. Participei de mais uma corrida e dessa vez - aliás, pela segunda vez - Roberto foi comigo. Que bom né? Mas ainda não coorrrooo. Corro e ando. Corro e ando. Assim fizemos os 6 km. Não sou - ainda - uma corredora, mas pretendo chegar lá. Na madrugada da terça saíremos para mais uma viagem de férias. Dessa vez vamos pra Colômbia e Equador. Eita!!! De lá mandarei notícias.
Mamãe, a senhora sabe que sou curiosa e gosto de pesquisar, né? Outros queridos nossos já regressaram antes de você, mas só com a sua partida é que tive curiosidade de pesquisar sobre o dia de finados. Encontrei que finados significa "que chegou ao fim", que está morto. Também li que foi a Igreja Católica que determinou no século XIII que o Dia de Finados deveria ser celebrado no dia 2 de novembro. Como católica, a senhora certamente sabia que a Igreja Católica diz que nesse dia os vivos devem interceder pelas almas que estão no purgatório aguardando a purificação para entrarem no Céu. Mas será que sabia que os protestantes (mais conhecidos ultimamente no Brasil como evangélicos ou cristãos) não acreditam que exista purgatório e que não tem o hábito de orar pelas pessoas que desencarnaram? Eu não sabia. De qualquer forma, como muitas vezes sou do contra, não concordo com nenhum dos dois grupos.
Também não acredito em purgatório. Pelo menos não na concepção da Igreja Católica. E tenho o hábito de orar por aqueles que faleceram. Acredito que faz bem aos espíritos - de vocês que regressaram e nosso, que aqui continuamos.
E aí encontrei na internet um arquivo interessante do O Imortal - Jornal de divulgação espírita, sobre o Dia de Finados. Ali está escrito que vocês que já partiram costumam também ir aos cemitérios nesse dia, sintonizados no pensamento das pessoas queridas - familiares e amigos- que foram ali prestar uma homenagem. Logo que li isso, pensei: "poxa, então minha prece, meu abraço, meu beijo e minha conversa com mamãe hoje não foi sentida porque eu não estava no cemitério?". Continuei a ler e vi que o que santifica o ato de lembrar é a prece ditada pelo coração, não importa onde eu estiver. Ufa! Que alívio! Então você recebeu a lembrança de todos nós, mesmo os que não puderam ou não quiseram visitar seu túmulo. Recebeu as flores reais e as flores mentalizadas.
Na verdade, mamãe, não gosto muito do termo "finados". Não considero que a senhora e todas as pessoas que amo que já regressaram tenham "chegado ao fim". Acho, sim, que esta reencarnação chegou ao fim pra vocês, mas que todos estão vivos, porque a vida prossegue. É eterna. Tenho certeza que a senhora já sabe disso e sente a fluir no seu corpo. Aliás, no seu perispírito, porque o corpo que lhe foi emprestado já foi devolvido.
Receba minha saudade com meu abraço de caranguejo e meu beijinho em seus olhos.
Sua filha tagarela.
Vanda.
Querida mamãe
Como passou nesses últimos dias? Desejo que bem, apesar de toda a saudade recheada de tristeza emitida hoje por seus queridos, pela passagem do Dia de Finados. Achamos que você partiu muito cedo. Tá certo. Setenta e sete anos e meio não é tão cedo. Mas é que quando amamos desejamos não nos separar nunca. E você sabe que suas crias, mesmo morando em estados diferentes, sempre foram muito grudadas à senhora, né?
A senhora sabe que a maioria de nós não pode ir à Paulo Afonso, render homenagem no local onde repousa os seus despojos carnais, juntos aos do seu pai, vovô Zezinho, sua mãe, vovó Minice, e sua irmã caçula, tia Nenen. Mas tenho certeza que percebeu nossos pensamentos e nossos sentimentos de cada canto que estamos.

Mamãe, a senhora sabe que sou curiosa e gosto de pesquisar, né? Outros queridos nossos já regressaram antes de você, mas só com a sua partida é que tive curiosidade de pesquisar sobre o dia de finados. Encontrei que finados significa "que chegou ao fim", que está morto. Também li que foi a Igreja Católica que determinou no século XIII que o Dia de Finados deveria ser celebrado no dia 2 de novembro. Como católica, a senhora certamente sabia que a Igreja Católica diz que nesse dia os vivos devem interceder pelas almas que estão no purgatório aguardando a purificação para entrarem no Céu. Mas será que sabia que os protestantes (mais conhecidos ultimamente no Brasil como evangélicos ou cristãos) não acreditam que exista purgatório e que não tem o hábito de orar pelas pessoas que desencarnaram? Eu não sabia. De qualquer forma, como muitas vezes sou do contra, não concordo com nenhum dos dois grupos.
Também não acredito em purgatório. Pelo menos não na concepção da Igreja Católica. E tenho o hábito de orar por aqueles que faleceram. Acredito que faz bem aos espíritos - de vocês que regressaram e nosso, que aqui continuamos.

Na verdade, mamãe, não gosto muito do termo "finados". Não considero que a senhora e todas as pessoas que amo que já regressaram tenham "chegado ao fim". Acho, sim, que esta reencarnação chegou ao fim pra vocês, mas que todos estão vivos, porque a vida prossegue. É eterna. Tenho certeza que a senhora já sabe disso e sente a fluir no seu corpo. Aliás, no seu perispírito, porque o corpo que lhe foi emprestado já foi devolvido.
Receba minha saudade com meu abraço de caranguejo e meu beijinho em seus olhos.
Sua filha tagarela.
Vanda.
CARTA AO CÉU - Cada estrela é alguém querido que regressou
Esta foi a minha primeira carta, enviada em 31 outubro de 2014 através do forquilha.blogspot.com .
Desejo que a senhora esteja bem e já recuperada da enfermidade que a fez regressar ao plano espiritual há três meses. Sinto que suas dores já passaram e que está cada dia mais forte, com uma luz a irradiar em seu corpo espiritual. Sinto que sabe que está viva e que, apesar da saudade de toda essa imensa família que ainda tem missão a cumprir aqui, está bem. Sei, inclusive, que a sua saudade é maior que a nossa. Afinal, cada um dos seus 11 filhos, 19 netos e sete bisnetos sentem saudades sua, mas você sente a saudade de todos nós.
Desde menina sempre achei que cada estrela é alguém muito querido e de muita luz que regressou após cumprir sua missão. Sei que a ciência e a astronomia têm suas definições para as estrelas. Mas prefiro ter essa. E como a sua história nesta encarnação se concentrou no nordeste, principalmente na divisa entre Bahia, Pernambuco e Alagoas, estou aguardando mais uma estrela azul – das maiores – a brilhar naquela direção. Se ajudar a se posicionar, vi que a Latitude geográfica de Paulo Afonso, onde a senhora viveu por mais de 60 anos, é 09º 24' 22" S e a Longitude 38º 12' 53" W. Tenta achar um lugarzinho por ali, viu? Quem sabe a sua luz e energia não contribui para ajudar o nosso Velho Chico.
Infelizmente nenhuma operadora de telefonia disponibiliza pacotes para falar com quem está em outra dimensão, em alguma cidade especial desse mundão de Deus. Acho que quando inventarem vão ganhar muito dinheiro. Não ter a nossa conversa matinal diária por telefone é o que me faz muita falta. Mas como sou tagarela e quero sempre saber como a senhora está, falo mentalmente e às vezes até alto mesmo, sozinha, quando saio pro trabalho, quando retorno e quando vou dormir. Tou sendo chata? Se tiver dê um sinal, viu?Não quero incomodá-la. Mas quero que esteja aproveitando bem a oportunidade de se livrar de todas as dores e doenças, de se fazer forte e cada vez mais linda. Que esteja tendo reencontros que a deixe feliz. Quero ver você brilhar.
Aqui nossa vida prossegue. Tivemos a eleição onde Dilma foi reeleita no segundo turno. Não foi uma eleição fácil. Acho que a senhora teria ficado agoniada com a guerra que teve nas redes sociais entre os eleitores de Dilma e de Aécio. Essa guerra continua até agora. Como o Brasil ficou praticamente dividido, eleitores sem noção do Sul e Sudeste tão caindo de pau nos eleitores do Nordeste. Já pensou que besteira? Somos todos brasileiros, né? Mas ninguém pode desprezar o nordestino porque a senhora, como boa nordestina, sabe como nosso povo é guerreiro. Quem sobreviveria a décadas de seca? Mas deixa pra lá. Logo logo arranjam outra coisa pra se preocupar. Amar ao próximo como a si mesmo é uma boa opção, né?
Vou ficando por aqui, cheia de saudades. Receba meu abraço de caranguejo e meus beijinhos nos olhos (acho que não precisa mais de óculos, né?).
Sua filha que fala pelos cotovelos,
Vanda.
Caixa de correspodência ao céu agora é exclusiva
Acredito no texto atribuído a Santo Agostinho, onde diz que não morreu, que apenas passou para o outro lado do caminho. Ao longo da minha vida, como na sua, certamente, tive várias despedidas. A mais difícil foi a de minha mãe, em 1º de agosto de 2014. Maria Cleonice Galindo Melo (de nascimento) ou Maria Cleonice Amorim (depois de casada), ou simplesmente Nicinha Amorim, como era conhecida por todas as pessoas do nosso círculo de relações. Para mim ou meus 10 irmãos, mamãe, mainha, Cleo ou Mariquinha. Para netos, vó, vovó. Para bisnetos, vovó Tetéo.
Vê-la seguir para o outro lado do caminho gerou um sentimento difícil de traduzir. Por muito tempo fiquei em silêncio, alimentando-me dos muitos momentos a nós permitidos ao longo de 52 anos (idade que eu tinha na despedida). Em outubro desse mesmo ano resolvi mandar algumas cartinhas ao céu através de outro blog que tenho (forquinha.blogspot.com). Enviei cinco cartas, em pouco mais de um ano. Depois nunca mais escrevi. Hoje, Sexta-feira Santa, dia em que esta saudade aumenta, decidi criar esta caixa de correspondência para o outro lado do caminho, onde poderei apresentar meus monólogos não apenas à mamãe, mas a outros queridos que também fizeram a travessia.
Por favor, não veja morbidez nessa iniciativa. Perceba-a apenas como oportunidade de uma conversa sem resposta visível sobre saudade e outras coisas, trazendo também um pouco do cotidiano da nossa vida do lado de cá.
A partir de agora migrarei para este espaço as cinco cartas ao céu já enviadas através do Forquilha, que voltará a tratar sobre temas gerais do cotidiano. E novas cartas serão encaminhadas aos meus queridos.
Fiquem a vontade para comentar.
Vê-la seguir para o outro lado do caminho gerou um sentimento difícil de traduzir. Por muito tempo fiquei em silêncio, alimentando-me dos muitos momentos a nós permitidos ao longo de 52 anos (idade que eu tinha na despedida). Em outubro desse mesmo ano resolvi mandar algumas cartinhas ao céu através de outro blog que tenho (forquinha.blogspot.com). Enviei cinco cartas, em pouco mais de um ano. Depois nunca mais escrevi. Hoje, Sexta-feira Santa, dia em que esta saudade aumenta, decidi criar esta caixa de correspondência para o outro lado do caminho, onde poderei apresentar meus monólogos não apenas à mamãe, mas a outros queridos que também fizeram a travessia.
Por favor, não veja morbidez nessa iniciativa. Perceba-a apenas como oportunidade de uma conversa sem resposta visível sobre saudade e outras coisas, trazendo também um pouco do cotidiano da nossa vida do lado de cá.
A partir de agora migrarei para este espaço as cinco cartas ao céu já enviadas através do Forquilha, que voltará a tratar sobre temas gerais do cotidiano. E novas cartas serão encaminhadas aos meus queridos.
Fiquem a vontade para comentar.
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